3. A dolorosa separação

          Ricardo sempre me dizia que queria ir morar na Europa, que seu destino o esperava em Londres, no início eu ficava irritado com isto, achava que era coisa de criança, mas depois de meses de conversas eu me convenci de que o melhor para ele era ir para a Europa e comecei a fazer os preparativos para sua viagem, pensando em como eu sofreria com esta dolorosa separação.

          A verdade é que no começo não sofri muito, porque acreditava que ele voltaria logo, assim que visse como era difícil enfrentar a vida em outro continente, mas ele foi ficando, casou-se com uma linda moça francesa e agora já fazem doze anos que ele partiu e o sofrimento é atroz. Já o visitei em três oportunidades e ele também já me visitou três vezes, mas a dor é imensa, apenas atenuada com os telefonemas praticamente diários que ele me faz, sem isto seria muito difícil viver.

          Quando nos encontramos a emoção nos domina, quase não conseguimos dizer nada, apenas nos abraçamos o mais forte que conseguimos. Atravessamos oceanos, saltamos continentes, mas agora estamos juntos de novo e só isto importa, o resto é um distante assovio do vento. A verdade é que eu choro só de escrever estas palavras e aposto que meu filho chorará ao lê-las, desta forma fica fácil imaginar o vulcão amoroso e sentimental que explode em nossos peitos nestas ocasiões.

          Ricardo casou-se com uma moça encantadora, que sempre tem muito carinho e paciência para me doar e isto fez toda a diferença, somos ainda mais unidos do que antes, graças a esta princesinha francesa que conquistou nossos corações, todos a adoram, por sua beleza e simpatia. Ela é ótima para planejar viagens e tem muita paciência para me levar onde quero, mesmo que o lugar não desperte nela o menor interesse. Digo isto porque não é fácil passear com um velho...

          Por isto, quando eles vêm ao Brasil, vou com eles a todos os lugares que eles quiserem ir, mesmo que eu já conheça o lugar ou que este lugar não me interesse. Procuro tratá-los da melhor forma possível para recompensá-los pelo tratamento que me dão quando os visito. Muitas vezes meu filho saiu do trabalho no centro da cidade, foi até sua casa para me buscar e voltou ao centro da cidade para me levar a um museu que eu desejava visitar e isto nunca é fácil.




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