4. Solidão

          Meu filho era meu companheiro, com ele sempre havia alguma animação ou atividade, depois que ele partiu nunca mais fui a um cinema ou a uma feira, como a feira do sol (que nós adorávamos frequentar aos domingos), minha vida foi se tornando a cada dia mais solitária e silenciosa. Como me aposentei, fiquei ainda mais só, pois agora não encontro mais os amigos e colegas de trabalho todos os dias... Sei que nunca mais seremos como antes, pois agora ele é casado e tem sua esposa, seu lar e novas responsabilidades, mas quando ele está aqui não me sinto só como agora.

          Às vezes penso que gostaria de fazer uma viagem no tempo, voltar àquele dia em que fui te buscar para morar comigo e seus olhos brilharam como sóis da mais sincera felicidade, neste dia eu tornei-me seu pai novamente, pois foi como se você nascesse de novo para mim, nós saímos daquela casa juntos para enfrentar o mundo e vencemos. Aliás a melhor forma de vitória que existe é esta, quando todos julgam que não temos a mínima chance de vencer, foi assim com a Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, uma vitória incontestável que surgiu de uma derrota considerada certa!

          Sim, nós somos vitoriosos, contra tudo e contra todos! Se o Ricardo é um homem correto, honesto, ético, trabalhador, que vive independentemente com sua esposa, se nosso amor continua a cada dia mais forte e respeitoso, se estamos a cada dia mais apegados e formamos uma linda família, então nós vencemos, porque muitos torceram e lutaram para que isto não fosse assim...

          Mas isto agora não nos interessa, somos felizes apesar de tudo e as fofocas, comentários maldosos e conselhos errados ficaram perdidos na poeira do tempo. Desejamos saúde, paz e alegrias às pessoas que os criaram, mas queremos distância delas, pois o mal não pode destruir o bem, mas consideramos que as pessoas deste tipo deveriam ser internadas para tratamento psiquiátrico, pois o desejo de destruição de entes da própria família é, no mínimo, forte indício de demência.

          Quando estamos juntos, subindo na Torre Eiffel, entrando no Museu Britânico, navegando em um dos canais de Veneza ou visitando um moinho de vento da Holanda, chego à conclusão que a vida vale a pena ser vivida quando a dividimos com pessoas maravilhosas como o Ricardo e a Aude, cada momento que estou com eles é maravilhoso e os momentos em que não estou com eles são dedicados à lembrança das maravilhosas viagens que juntos fizemos, inclusive a maior delas, uma viagem realmente longa e muito interessante à qual damos o nome de "vida"!




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